Manejo Clínico

Agentes biológicos e imunomoduladores parecem seguros antes de cirurgia mamária

Coorte retrospectiva com mais de 211 mil pacientes não encontrou aumento de complicações cirúrgicas — incluindo deiscência e infecção — em quem usava biológicos antes de reconstrução ou aumento mamário.

Agentes biológicos e imunomoduladores são cada vez mais usados no manejo de doenças autoimunes como artrite reumatoide, psoríase e doença inflamatória intestinal. Com mais pacientes em uso dessas terapias sendo submetidos a cirurgias mamárias eletivas, o impacto dessa exposição nos desfechos pós-operatórios permanecia incerto — questão de interesse direto para quem acompanha cicatrização e infecção de feridas cirúrgicas.

Como o estudo foi conduzido

Análise de coorte retrospectiva usando a base TriNetX. Pacientes submetidos a reconstrução ou aumento mamário foram identificados por códigos CPT e estratificados conforme exposição pré-operatória a biológicos ou imunomoduladores nos seis meses anteriores à cirurgia. Os agentes incluíram inibidores de TNF-α, interleucinas, JAK, mTOR e calcineurina, entre outros. Aplicou-se pareamento por escore de propensão 1:1 para controlar variáveis demográficas e clínicas.

Resultados

Entre 211.105 pacientes, 4.024 tinham exposição a biológicos. Após o pareamento, restaram 3.980 pacientes em cada coorte. As taxas de complicações foram comparáveis entre os grupos em todos os momentos avaliados (30 dias, 90 dias e 6 meses; p > 0,05). A exposição a biológicos não se associou a aumento de risco de deiscência de ferida, infecção, seroma ou hematoma, revisão de implante ou readmissão hospitalar.

O que muda na prática

A terapia biológica ou imunomoduladora pré-operatória não aumentou de forma significativa as complicações cirúrgicas após reconstrução ou aumento mamário. Os achados sugerem que manter essas terapias em pacientes apropriados parece seguro e pode evitar interrupções desnecessárias do tratamento. Por se tratar de estudo retrospectivo baseado em banco de dados, decisões individuais devem considerar o contexto clínico de cada paciente.

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