Perfil de infecções de corrente sanguínea e resistência em crianças menores de cinco anos na Etiópia
Estudo transversal encontrou prevalência de 19,2% de infecção de corrente sanguínea, predomínio de Gram-negativos e altas taxas de resistência a antibióticos de uso comum.
As infecções de corrente sanguínea resistentes a antibióticos são uma preocupação de saúde pública relevante, sobretudo em crianças menores de cinco anos. Este estudo avaliou a prevalência, os perfis de resistência antimicrobiana e os fatores associados em crianças febris atendidas no Hospital Especializado Felege Hiwot, em Bahir Dar, noroeste da Etiópia.
Metodologia
Estudo transversal com 281 crianças menores de cinco anos, conduzido entre novembro e dezembro de 2025. Coletaram-se cerca de 3 mL de sangue venoso de forma asséptica para hemocultura com técnicas microbiológicas padrão. A identificação bacteriana baseou-se em características de colônia e testes bioquímicos, e o teste de suscetibilidade utilizou o método de disco-difusão de Kirby-Bauer.
Principais achados microbiológicos
A prevalência de infecção de corrente sanguínea foi de 19,2% (54/281; IC 95%: 14,0%-24,4%). O isolado mais comum foi Klebsiella pneumoniae (31%), seguido de Enterobacter cloacae (11%), Escherichia coli (9%) e Acinetobacter baumannii (9%). Bactérias Gram-negativas representaram 80% dos isolados.
Padrões de resistência
As taxas de resistência foram altas para ampicilina (87,0%), trimetoprima-sulfametoxazol (86,3%) e cefepima (77,8%). Também elevadas para ciprofloxacino (68,5%), tobramicina (68,6%), amoxicilina-clavulanato (66,0%), gentamicina (63,3%), tetraciclina (61,1%) e cloranfenicol (60,5%). Em contraste, observaram-se taxas menores para cefotaxima (37,0%) e meropenem (20,4%).
Fatores associados
Foram preditores significativos de infecção de corrente sanguínea: idade inferior a 1 ano (AOR = 2,11), febre com duração maior que 7 dias (AOR = 2,74), crianças parcialmente imunizadas (AOR = 3,21) e não imunizadas (AOR = 9,87).
O que muda na prática
O cenário de alta resistência a antibióticos empíricos de primeira linha reforça a necessidade de fortalecer o stewardship antimicrobiano, ampliar a cobertura vacinal e aprimorar o diagnóstico precoce. Em contextos semelhantes, carbapenêmicos e cefotaxima mantêm melhor atividade, mas o uso responsável é essencial para preservar essas opções. A forte associação com status vacinal incompleto destaca a imunização como estratégia preventiva direta.
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