Complicações de Partes Moles

Integridade da tuberosidade do calcâneo como guia para a escolha da via cirúrgica e prevenção de complicações de ferida

Estudo caso-controle retrospectivo sugere que avaliar a integridade da tuberosidade do calcâneo no pré-operatório ajuda a selecionar a abordagem cirúrgica e reduzir complicações de partes moles.

A via cirúrgica ideal para fraturas intra-articulares desviadas do calcâneo permanece controversa. A cirurgia minimamente invasiva (MIS) reduz complicações de partes moles, mas seu uso em fraturas complexas é debatido. Como a ligamentotaxia — pilar da MIS — exige uma tuberosidade do calcâneo íntegra como fulcro, os autores avaliaram se a avaliação pré-operatória dessa integridade poderia orientar a escolha da técnica.

Desenho do estudo

Foram 118 pacientes (2019-2022) distribuídos em dois algoritmos por evolução do protocolo institucional. O Grupo A (guiado pela classificação de Sanders, n=51) recebeu MIS para Sanders II/III e via lateral estendida (ELA) para o tipo IV. O Grupo B (guiado pela tuberosidade, n=67) recebeu MIS se a tuberosidade estava íntegra, ou ELA se cominuída. Avaliaram-se métricas operatórias, redução radiográfica (ângulo de Böhler, degrau articular), escores funcionais (AOFAS, Maryland), dor (EVA) e complicações.

Resultados-chave para o cuidado da ferida

Não houve diferença significativa em desfechos radiográficos ou funcionais entre os grupos. Contudo, a taxa de complicação de ferida foi nitidamente maior quando fraturas com tuberosidade cominuída foram tratadas com via minimamente invasiva (STA: 2/2, 100%) versus ELA (1/9, 11,1%; p=0,011). Entre todos os casos de STA, pacientes com tuberosidade cominuída tiveram taxa de complicação muito superior aos com tuberosidade íntegra (100% vs. 9,5%; p<0,001). Houve também sugestão de menor tempo operatório no grupo guiado pela tuberosidade nas fraturas cominuídas.

O que muda na prática

A avaliação pré-operatória da integridade da tuberosidade pode ser um complemento útil à classificação de Sanders ao selecionar a via cirúrgica, alcançando desfechos clínicos comparáveis. Do ponto de vista de partes moles, a mensagem é prudente: tentar técnica minimamente invasiva em fratura com tuberosidade cominuída pareceu associar-se a complicações de ferida desproporcionalmente altas. Ainda assim, os achados de subgrupos derivam de um número pequeno de fraturas cominuídas, são exploratórios e exigem validação em coortes prospectivas maiores.

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