Úlceras por pressão: revisão da fisiopatologia à reconstrução cirúrgica
Revisão abrangente reúne fisiopatologia, prevenção e manejo cirúrgico das úlceras por pressão, com destaque para offloading, controle de infecção e terapias regenerativas emergentes.
As úlceras por pressão (escaras ou úlceras de decúbito) seguem sendo complicação frequente e debilitante da imobilidade, atingindo de forma desproporcional pacientes com lesão medular, idosos e indivíduos com internações prolongadas. Apesar dos esforços preventivos, mantêm alta prevalência e elevada taxa de recorrência, com impacto significativo sobre os pacientes e os sistemas de saúde.
Fisiopatologia e fatores de risco
A revisão reforça que essas feridas resultam de pressão sustentada que excede a pressão de perfusão capilar, levando a isquemia tecidual e necrose. Um ponto crítico destacado é que o dano frequentemente se inicia na interface músculo-osso, o que explica a dissociação entre o aspecto superficial da lesão e a extensão real do comprometimento tecidual em profundidade.
Prevenção como pilar central
As estratégias preventivas continuam essenciais para reduzir incidência e gravidade: superfícies de suporte especializadas, reposicionamento frequente e otimização nutricional. A identificação precoce de populações de alto risco permite direcionar esses recursos de forma mais eficiente.
Manejo cirúrgico e durabilidade do retalho
Úlceras estabelecidas podem exigir desbridamento cirúrgico para controle da ferida e procedimentos reconstrutivos complexos para fechamento. A revisão enfatiza que o planejamento perioperatório — incluindo protocolos rígidos de offloading e controle de infecção — é determinante para a durabilidade do retalho a longo prazo.
Abordagens regenerativas emergentes
Terapias regenerativas, como matrizes enriquecidas com células-tronco e fatores de crescimento, despontam como adjuvantes ou alternativas à reconstrução tradicional. Os autores defendem a integração entre prevenção, técnica cirúrgica precisa e inovação biológica para alcançar melhores desfechos.
O que muda na prática
O manejo eficaz das úlceras por pressão exige uma abordagem integrada e contínua. Na prática, isso significa não relaxar a prevenção mesmo após o fechamento cirúrgico: o offloading rigoroso, o controle de infecção e o suporte nutricional precisam ser mantidos para evitar recorrência. A reconstrução isolada, sem correção dos fatores de pressão subjacentes, está fadada ao insucesso. A pesquisa futura deve priorizar desfechos de longo prazo e redução de recorrência nas populações de maior risco.
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